Opinião

Autoconhecimento: desenvolva-se sem moderação

Por Márcio Vaz*

Existe uma teoria voltada para a Visão Seletiva, em que tudo aquilo que eu vivencio começo a notar e focar mais. Assim se dá, com um carro que acabo de comprar e passo a ver o mesmo modelo em todo lugar. Ou quem quebra uma perna e a engessa que começa a perceber outras pessoas engessadas. Mulheres grávidas que passam a enxergar outras grávidas. Eu,como cadeirante, que passei a ver bem mais pessoas em cadeiras de rodas etc. Ou seja, situações que sempre estiveram presentes, mas que se tornam mais evidentes quando estamos inseridos no mesmo contexto.

Da mesma forma eu compreendo essa frase de Buda que diz: “O que não gosto em ti, corrijo em mim”. Isto é, quando percebo um defeito no outro, funciona como um “efeito espelho”, em que Jung já dizia: “Percebemos nos outros as outras mil facetas de nós mesmos”. Por isso, fiz essa analogia com a visão seletiva, para evidenciar que se algo nos chama a atenção, não deve ser em vão. Provavelmente, se caiu no nosso radar, é porque povoa o nosso campo ação, convidando-nos, no mínimo, à reflexão.

Note que ambas teorias se complementam, pois Jung nos revela a natureza da nossa percepção, enquanto Buda incentiva a correção do que nos incomoda, uma vez que se faça presente na gente, óbvio. Ou seja, percepção, reflexão e ação, como profunda proposta de transformação. Porém, nem todos estão preparados ainda para enxergar, aceitar e enfrentar os seus fantasmas, tornando o processo de autoconhecimento, ineficaz. No entanto, tudo vem ao seu tempo, sendo a terapia uma forte aliada para o seu crescimento.

Enfim, embora nem tudo seja regra, nem eu acredite em verdades absolutas, cabe-nos aqui, pelo menos, a reflexão e observação como proposta de autoconhecimento e reforma íntima. Afinal, se quisermos evoluir, devemos nos manter abertos a novos conceitos e nos permitir experienciá-los. Até mesmo porque, não devemos temer o que pode nos fazer crescer. Nesse sentido, quando você perceber um defeito em alguém, critique menos e se observe mais, pois as pessoas não mudam com críticas ou cobranças, mas sim, com os nossos exemplos. Seja você a diferença que quer ver no outro e no mundo.

(*) Márcio Vaz é palestrante, psicólogo e escritor (www.marciovaz.net)

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